Bettina Florenzano
Direto de Belém
Depois de mais de 16 horas de julgamento, o júri condenou na madrugada desta sexta-feira em Belém Roberta Sandrelli como co-autora do assassinato de Marielma Sampaio, de apenas 11 anos. Foram 6 votos a 1. A pena é de 38 anos de prisão em regime fechado. Ao ler a sentença, o Juiz Raimundo Flexa disse que Roberta é "violenta, perversa e covarde".
Marielma trabalhava como babá na casa de Roberta e Ronivaldo Furtado, o principal acusado da morte da criança. Ele ainda não foi a julgamento porque está amparado por um laudo de esquizofrenia e deficiência mental, o que o torna ininputável. Ronivaldo será submetido a um novo exame ainda em agosto, desta vez avaliado por psiquiatras do Instituto de Perícias de São Paulo.
O crime aconteceu no dia 12 de novembro de 2005. Marielma foi abusada sexualmente, teve fratura nos ossos frontal e lateral da cabeça, 7 costelas quebradas, pulmão perfurado, ruptura do baço e rins, queimaduras, equimoses, feridas na cabeça e tórax, além de marcas de choque elétrico.
De acordo com o Promotor Paulo Godinho, Roberta foi conivente com o marido nos atos de violência contra a menor. No momento em que Marielma era violentada, Roberta aumentava o som para que a vizinhança não ouvisse a sessão de tortura.
O caso teve destaque internacional. Andréa Bolzon, observadora da Organização Internacional do Trabalho (OIT), disse que as condenações de Roberta Sandrelli e, possivelmente, de Ronivaldo Furtado, fazem justiça ao caso, mas em hipótese alguma põem fim a esse tipo de problema no Brasil. De acordo com o último levantamento da OIT, cerca de 500 mil crianças entre 5 e 17 anos exercem atividade doméstica no Brasil.
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