|
Assista em instantes vídeo relacionado a esta matéria
A pesquisadora do Núcleo de Estudos Arte, Mídia e Política da PUC de São Paulo, Vera Chaia, defende que a imprensa noticie fatos relacionados ao PCC, mas condena que a organização criminosa seja exaltada. Como forma de não popularizar a facção, ela é favorável à não-publicação do nome da sigla. "A própria sigla já amedronta. Se puder falar a verdade, mas não exaltar a organização criminosa, a atitude será bem-vinda para a opinião pública", disse.
A estudiosa acha que é "complicado" dosar a cobertura dos ataques do PCC em São Paulo. "Se você não divulga determinados fatos, está omitindo para a opinião pública informações sérias. Mas, ao mesmo tempo, se você divulgar boatos, pode deflagrar um medo exagerado", disse. Ela criticou a cobertura de certas emissoras de televisão que, no dia 15 de maio, publicaram informações não-confirmadas, o que levou pânico aos paulistanos.
A publicação de foto do líder do PCC, Marcos Willians Camacho, o Marcola, na capa da revista Veja do último domingo também foi alvo das críticas de Vera Chaia. "Não me surpreendo. A Veja sempre usou essas estratégias como instrumento para a venda das revistas." Para ela, a revista semanal costuma trazer à tona assuntos polêmicos sem uma correta averiguação e sem ética profissional. "A Veja fala o que quer sem responsabilidade, sem comprovação."
Procurada pela reportagem do Jornal do Terra, a assessoria de imprensa de Veja disse que a revista prefere não se pronunciar sobre as críticas.
Os ataques em São Paulo ainda resvalaram na imagem do Congresso Nacional, na opinião da pesquisadora. Vera Chaia observou que vários projetos de lei que poderiam aprimorar a área de segurança pública estavam parados no Congresso desde 2001.
|