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Sexta, 4 de agosto de 2006, 16h13

Polícia do Rio caça assassinos do juiz

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Ernani Alves
Direto do Rio de Janeiro

Policiais civis tentam localizar pelo menos sete acusados de participação no assassinato do desembargador do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro, José Maria de Mello Porto. Cinqüenta agentes já vasculharam nesta sexta-feira a Favela Parque Alegria, que fica perto do local do crime. PMs também se envolveram no caso e prenderam um traficante suspeito.

Adilson Gomes de Almeida, de 27 anos, conhecido como Romarinho, foi encontrado na favela Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré, na Zona Norte da capital fluminense. Os policiais militares chegaram ao local através de denúncia anônima. O bandido estava com uma metralhadora, um rádio transmissor, 85 sacolés de cocaína e 98 munições de calibre 40.

O juiz Mello Porto foi morto na noite dessa quinta-feira, quando passava num Audi A3 pela avenida Brasil, na altura do Caju, na zona portuária. Ele estava no banco do carona. O carro era dirigido por um amigo, o procurador federal aposentado José Domingos Teixeira Neto, quando foi fechado por dois veículos com oito homens armados. O grupo teria anunciado um assalto. As vítimas saíram do carro e três marginais atiraram. Mello Porto levou sete tiros na cabeça e o procurador federal conseguiu escapar. Os criminosos fugiram sem roubar o carro.

Segundo o procurador Domingos Teixeira, o desembargador cometeu o erro fatal de engatilhar a pistola e gritar que era o juiz Mello Porto. O subchefe de Polícia Civil do Rio, José Renato Torres, afirmou que o depoimento descarta a hipótese execução.

O corpo do desembargador Mello Porto foi velado na sede do Tribunal Regional do Trabalho, no Centro do Rio. O enterro acontece na tarde desta sexta-feira tarde no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul.

O juiz era primo do ex-presidente Fernando Collor de Mello e do atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio de Mello. O desembargador tinha 38 anos de vida jurídica e pensou em se candidatar ao cargo de deputado federal este ano, mas acabou desistindo de idéia. Em 1999, foi alvo de investigação da CPI do Judiciário por supostas irregularidades cometidas em sua gestão. As denúncias envolviam participação na venda de sentenças, fraude em licitações, negociatas para nomeação de juízes classistas, campanha ilegal de autopromoção e irregularidades administrativas. Em 2000, a Procuradoria da República no Rio tentou cassar o cargo de juiz de Mello Porto alegando que sua nomeação foi ilegal e inconstitucional porque ele não fez concurso.

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Redação Terra

 
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