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O governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), ameaçou lançar uma autobiografia sobre sua experiência de nove meses à frente do maior Estado da federação. Em entrevista nesta quarta-feira nos estúdios do Jornal do Terra, Lembo disse que pode deixar muita gente assustada se decidir contar tudo.
"Me honra muito ser governador de São Paulo e faço tudo o que for necessário, dentro das minhas limitações e forças. Agora, é uma experiência muito dura. Não quero inimigos, mas se puder escrevo uma biografia muito dura, vou assustar a todos", afirmou o governador. Em tom de bom humor, Lembo chegou a qualificar sua hipotética autobiografia como uma "vingança".
Elite branca
À época dos primeiros ataques do PCC em São Paulo, o governador chegou a criticar a "elite branca" brasileira por cobrar atitudes mais severas do poder público contra a criminalidade. Ele explicou a expressão e aprofundou sua crítica, qualificando essa elite como "sanguessuga".
"Acho que temos no Brasil um grupo de pessoas que não se deram conta de que vivem em um país de terceiro mundo. Temos uma história muito amarga de cerceamento de pessoas, o Brasil nunca conheceu a liberdade pessoal. Alguns tinham tudo e a grande maioria vivia nas senzalas e colônias. Sou italianinho de São Paulo, daqueles que sofreram na pele. Nós temos que abrir as mentes e integrar a sociedade brasileira", dissertou.
"Desde a chegada do colonizador português, e depois dos corsários franceses e holandeses que se instalaram, só houve depredação no Brasil. Não se construiu, só se degradou. (...) Acho que este momento de levantar todas as mazelas para cima é um momento de esperança, porque depois a gente pode fazer um país igualitário".
Sistema carcerário
O governador defende que se combata o problema da superpopulação carcerária através de penas alternativas para pequenos delitos. São Paulo abriga 142 mil presos, ou 52% de toda a população carcerária do País. "Temos que repensar as penas, não termos só privação de liberdade", afirmou. "Está se criando um exército auxiliar para o PCC ou para qualquer quadrilha organizada".
Lembo admitiu eventualmente transferir detentos mais perigosos para o presídio federal de Catanduvas, no Paraná, embora defenda como objetivo para o Estado manter os comandantes do PCC nas cadeias de segurança máxima de Presidente Bernardes e Presidente Venceslau.
O governador considera que nada deu errado na segurança paulista, exceto no que diz respeito à administração dos presídios. Como uma possível solução à burocracia estatal, ele vê com bons olhos a possibilidade de privatização da construção de novas cadeias, embora descarte privatizar a administração carcerária. O Estado alugaria celas da iniciativa privada, como se fossem hotéis para presidiários.
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Redação Terra
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