Fabrício Escandiuzzi Direto de Florianópolis
O vazamento em um dos túneis de escoamento da usina hidrelétrica de Campos Novos, interior de Santa Catarina, está assustando os moradores da região. O problema foi detectado dez dias após o enchimento da barragem e esta semana os engenheiros da obra decidiram esvaziar o reservatório. A Enercan, empresa responsável pelo empreendimento, vem tentando sem sucesso conter o vazamento.
Os prefeitos dos municípios vizinhos tentam acalmar a situação, mas o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que reúne os afetados pela construção de hidrelétricas, pede que aqueles que moram nas regiões ribeirinhas deixem suas casas. O representante do MAB em Campos Novos, Otacílio Mano Rosa, culpou a empresa por não informar a população sobre o que de fato acontece na usina. Ele alerta para o risco de um grande desastre.
"Não sabemos o que de fato aconteceu, apenas ouvimos as explosões e sentimos os tremores de terra", destacou. Otacílio disse ainda que mesmo após os reparos nesse túnel, existe o receio de que o muro de contenção da barragem possa ter se danificado pela força da água. "Nosso medo é saber se esse problema não afetou a barragem, mas a empresa não nos dá informações", completou. "Estamos enviando denúncias aos órgãos competentes".
A usina de campos Novos é formada por um consórcio de diversas empresas, entre elas Alcoa, CBA Alumínio, DME Energética, CPFL e Camargo Corrêa, Os investimentos somam US$ 600 milhões e, devido ao problema, o cronograma da obra está bastante atrasado. A concessionária que administra o empreendimento disse, por meio de nota oficial, que, devido aos trabalhos de recuperação, o nível do lago da usina estaria baixando rapidamente.
O diretor superintendente da Enercan, Enio Schneider, informou que não há risco nenhum para a população e a empresa tenta descobrir o que causou o problema. "Até agora sabíamos a localização do problema, mas não a causa, pois o local está submerso há meses e o local é de difícil acesso", disse. "Depois iremos trabalhar na recuperação do local, mas não há risco nenhum para a comunidade". A Enercan, no entanto, solicitou que a população não entrasse na água sob nenhuma hipótese.
Redação Terra
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