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Sexta, 5 de maio de 2006, 18h46

Garotinho aumenta seu capital político

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01m53s

Paulo Markun
Colunista do Jornal do Terra

Anthony Garotinho pode ser tudo, mas tonto ele não é. Por isso, ao entrar em greve de fome, pedindo o impossível - retratação ampla geral e irrestrita da mídia e mediação internacional para as próximas eleições - ele já sabia que não iria ganhar essa parada. Mais ainda: como político experiente e nem um pouco passional, Garotinho certamente sabia que o gesto radical seria a pá de cal para sua candidatura, que a maior parte dos caciques do PMDB já estava disposta a enterrar.

Portanto, ficam as perguntas: o que quer Garotinho com esse gesto? Como sair dessa greve de fome? Que vantagem ele pode levar? E a resposta começa a se desenhar: à medida que a greve persiste, começa a mudar a cobertura da mídia, diminuindo as graçolas e as piadinhas e aumentando o espaço para o acompanhamento do caso.

Garotinho já tem uma data possível para desistir do gesto: dia 13, daqui a oito dias, quando o PMDB deve desistir oficialmente de sua candidatura. Se conseguir agüentar até lá, o presidenciável terá cravado um fato político relevante e sairá do episódio com um capital político aumentado, e não reduzido.

Não é uma missão impossível, embora seja realmente dura. Há casos de greves de fome que duraram muito mais. E, para terminar, vale lembrar que o recordista mundial de faquirismo é um brasileiro: um gaúcho chamado Adelino José da Silva, que aos 11 anos conheceu um velho faquir hindu chamado Silki, adotou seu nome e herdou sua arte.

Aos 20 anos, o nosso Silki ficou doze dias enterrado vivo, em Florianópolis. Em 1955, no mesmo Rio onde Garotinho jejua, Silki passou cem dias sem comer e tornou-se recordista mundial de faquirismo. Perdeu o recorde mais tarde para um francês e recuperou o posto em 1957, com 107 dias deitado sobre uma cama de pregos em São Paulo. Dez anos depois, o francês Burmah retomou a dianteira. Mas Silki replicou com o tri em 1969. E em 1980, depois da morte de seu adversário, Silki fez o último jejum: 115 dias sem comer. Depois, abandonou o ofício.

Dizem as más línguas que Silki se alimentava secretamente, mas nada foi provado. Portanto, comparativamente, a tarefa de Garotinho parece mais fácil.

Redação Terra

 
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