Paulo Markun Colunista do Jornal do Terra
Já havia adiantado em comentário recente ao Jornal do Terra que faltava diplomacia na relação entre Bolívia e Brasil. Disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não sabia lidar com iguais como o presidente boliviano, Evo Morales. Deu no que deu.
A crise tem tudo a ver com a situação interna da Bolívia. Evo Morales não está nem um pouco preocupado com a situação do Brasil, se vamos recorrer à Justiça internacional ou se Lula vai reclamar. A menos que o Brasil invada a Bolívia e retome na força as refinarias e os campos de gás tomados pelo exército, o que obviamente não vai acontecer, não há o que fazer.
O presidente boliviano não está preocupado sequer com o fato de que o Brasil é o único comprador do gás da Bolívia. Ele quer atender o seu público de desvalidos que o elegeu, aqueles 60% de indígenas que morrem de fome, estão desempregados e cobravam de Evo uma atitude.
Vai haver um período de negociação, mas é importante ressaltar que o gás não é como as outras commodities que estragam, perdem a validade e se perdem. O gás fica ali guardado, basta fechar a torneira. Além disso, a questão do gás é muita mais interna do que externa e, se formos pensar na Justiça internacional, cabe lembra que o bloqueio a Cuba foi condenado por todas as instâncias e segue até hoje.
Por fim, Evo Morales não é puro e simplesmente um populista. Ele acredita no papel e acha que está fazendo o melhor pela Bolívia, e chegou ao poder sem ter que fazer qualquer concessão.
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Redação Terra
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