Uma ação da Al Qaeda na Espanha não corresponde a uma surpresa. O país desponta, ao lado da Alemanha, como palco principal, na Europa, de atuação dos seguidores de Osama Bin Laden. Com significativa comunidade muçulmana e proximidade geográfica com países árabes como Marrocos, a Espanha se transformou em área prioritária no continente europeu para terroristas islâmicos.
Por exemplo, em julho de 2001, a cidade espanhola de Tarragona abrigou uma reunião da Al Qaeda para definir os detalhes dos ataques de 11 de setembro. Desde 2001, a Espanha já deteve 40 suspeitos de envolvimento com terrorismo islâmico.
Ao insistir na responsabilidade do terrorismo basco pelos ataques desta quinta, o primeiro-ministro José Maria Aznar sabe que a hipótese do ETA representa um custo político menor ao seu governo, em comparação com o cenário de um atentado promovido por fundamentalistas islâmicos.
Na hipótese ETA, Aznar tenta vender a idéia de que a tragédia de Madri é resultado de uma longa disputa com o terrorismo basco, que atua desde o final dos anos 60. Já um ataque de grupos como a Al Qaeda pode ser interpretado pela opinião pública espanhola como alto preço a ser pago pela opção diplomática de Aznar, de alinhar-se ao presidente George W. Bush na invasão do Iraque.