"O Senhor dos Anéis, O Retorno do Rei", que conquistou 11 estatuetas na 76ª edição do Oscar, entra para a história. O filme venceu em todas as categorias em que foi indicado. No entanto, o brasileiro "Cidade de Deus", indicado em quatro categorias, não levou nada. A equipe que realizou o filme ficou chateada, mas encara as indicações para roteiro adaptado, diretor, fotografia e montagem como um reconhecimento do trabalho.
Após a cerimônia de premiação, em Los Angeles, o diretor de "Cidade de Deus", Fernando Meirelles, reconheceu a força de "Senhor dos Anéis" e disse que o filme mereceu as 11 estatuetas. "A gente tinha esperança de que o nosso montador fosse ganhar, mas conforme foram vindo os prêmios, vimos que a noite era do 'Senhor dos Anéis'", revelou Meirelles. "Acho que foi muito merecido. Eles estão trabalhando há nove anos nesse projeto, transferiram tudo para a Nova Zelândia. É tamanha dimensão que leva tudo a ser muito merecido".
Na visão do cineasta, apesar do resultado, "Cidade de Deus" serviu para mostrar a evolução do cinema brasileiro. Meirelles acha que a produção nacional está chegando ao seu auge e já tem condições de competir de igual para igual com os filmes de Hollywood. E ele promete que em breve voltará à cidade e ao Kodak Theater, onde foi realizada a cerimônia do Oscar.
No Rio de Janeiro, a decepção tomou conta de alguns artistas que participaram de "Cidade de Deus". É o caso de Renato de Souza, que viveu o personagem "Marreco" no filme e não conseguiu esconder sua frustração. Disse, porém, que o Brasil deve se sentir vencedor só pela repercussão que o filme teve. "O que importa é que estamos lá", declarou. "O filme foi reconhecido e gerou outras propostas de trabalho para essa garotada".
O ator Alexandre Rodrigues, que interpreta o personagem principal de "Cidade de Deus", o aprendiz de fotógrafo "Buscapé", era o mais inconformado com a derrota. Ele afirmou que assistirá a trilogia de "Senhor dos Anéis" para conferir se o filme é mesmo tão bom. "Fiquei muito curioso, vou passar um dia inteiro, nove horas para ver os três filmes".