José Roberto de Toledo Editor-chefe do Jornal do Terra
A soma dos patrimônios dos candidatos a vice supera em 72% o total de bens dos candidatos aos governos estaduais e do Distrito Federal. Juntos, os políticos que disputam o direito de substituir o governador de seus Estados em caso de necessidade detêm uma riqueza declarada de R$ 942,288 milhões. Os titulares, por sua vez, acumulam bens no valor total de R$ 548,581 milhões. Na média, os patrimônios dos candidatos a governador e de seus vices são de, respectivamente, R$ 2,637 milhões e R$ 4,552 milhões.
Nesse caso, a média é prejudicada pela concentração da riqueza nas mãos de dois candidatos que, juntos, detêm nada menos do que 90% do patrimônio dos vices. Beto Studart (PSDB-CE) e Paulo Octávio (PFL-DF) acumularam ao longo de bem-sucedidas carreiras empresariais patrimônios em que contam milhões de reais às centenas.
Se eliminarmos da conta os extremos, ou seja, os dois mais ricos candidatos a governador e a vice, os "titulares" passam a ter um patrimônio somado que é o dobro dos bens dos "reservas": R$ 201 milhões a R$ 99 milhões.
Jorge Alberto Vieira Studart Gomes, candidato a vice do tucano Lúcio Alcântara no Ceará amealhou R$ 520 milhões e tornou-se, assim, o político mais rico a disputar o pleito de 1º de outubro. Candidato a vice de José Roberto Arruda (PFL) no Distrito Federal, Paulo Octávio declarou à Justiça eleitoral bens somados no valor de R$ 323 milhões.
No caso dos cearenses, o vice tem uma riqueza 365 vezes maior do que a o candidato a governador. Paulo Octavio, por sua vez, é 541 vezes mais rico do que seu colega de chapa - a se acreditar no que foi declarado por ambos à Justiça eleitoral.
Na primeira reportagem da série "Dinheiro e Poder", o Jornal do Terra calculou o patrimônio dos candidatos em R$ 7,5 bilhões. Não entraram na conta, por não receberem votos diretamente, os candidatos a vice e suplentes de senador. Se incorporados, o patrimônio total dos que disputam as eleições de outubro chegaria a R$ 8,945 bilhões. Se estivessem todos concentrados em um só local, os cerca de 19 mil candidatos formariam o 22º maior PIB entre os unidades da Federação brasileira.
Os valores foram calculados pelo Jornal do Terra a partir dos dados publicados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em seu sítio na internet.
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