José Roberto de Toledo
Editor-chefe do Jornal do Terra
Pode parecer impossível, mas os candidatos a deputado, governador, senador e presidente que disputarão o pleito de 1º de outubro apresentam uma concentração de patrimônio ainda maior do que a perversa distribuição de renda da nação brasileira. Dos R$ 7,5 bilhões que possuem em conjunto, o 1% mais rico dos candidatos é dono de praticamente metade (48%). São apenas 189 candidatos com bens no valor total de R$ 3,611 bilhões - uma média de R$ 19 milhões para cada um deles.
Essa concentração no topo da pirâmide dos políticos é cinco vezes maior do que a da própria sociedade brasileira, que eles pretendem representar. Os políticos mais ricos tendem a ser empresários, muitos da área rural. Alguns vêm da área financeira, e a maioria já ocupa algum cargo público.
Na média, os cerca de 19 mil candidatos têm um patrimônio de R$ 397 mil. Mas a média é enganadora, já que 36% dos envolvidos declararam não possuir nenhum bem.
Os candidatos a senador são os que apresentam os maiores patrimônios, em média: R$ 3,271 milhões. A seguir vêm os candidatos a governador (R$ 2,698 milhões), presidente (R$ 1,762 milhão), deputados federais (R$ 482 mil), deputados distritais (R$ 432 mil) e deputados estaduais (R$ 271 mil).
Do cálculo do patrimônio total foram excluídos alguns candidatos que apresentavam patrimônio muito grande e inconsistências flagrantes na declaração. Foi o caso do candidato a deputado federal por São Paulo Israel Cajaí, que declarou ser dono de R$ 4,3 bilhões em apenas cinco bens ¿ entre os quais títulos que já caducaram e uma fazenda no Amapá que foi avaliada atribuindo-se um valor a cada árvore.
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