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Opinião

Terça, 14 de março de 2006, 18h14

Alckmin ressuscita pais do Plano Real

03m20s

José Roberto de Toledo
Editor-chefe do Jornal do Terra

A escolha de Geraldo Alckmin como candidato do PSDB à Presidência da República tem conseqüências políticas e econômicas muito diferentes das que ocorreriam se o escolhido fosse José Serra.

Politicamente, o PSDB tem três desafios imediatos: aparar as arestas internas que sobraram da disputa, unir o partido em torno de seu candidato mesmo que ele demore a deslanchar nas pesquisas, e costurar o apoio do PFL, que em maior parte tinha preferência por Serra. Não são tarefas fáceis.

Muitos tucanos vêem com ressalvas algumas atitudes do governador paulista e sua ligação com o grupo conservador católico Opus Dei. A ausência do prefeito no anúncio da candidatura oficial do partido é um símbolo das diferenças internas do PSDB.

A pesquisa CNI/Ibope a ser anunciada nesta quarta-feira foi feita antes do anúncio do nome do presidenciável tucano, e deve mostrar o escolhido com um desempenho pior do que o de Serra e atrás de Lula.

E no PFL, principal aliado do PSDB, lideranças, como o prefeito do Rio, César Maia, criticaram Alckmin e seus auxiliares nos últimos dias e já manifestaram o desejo de lançar candidato próprio se os tucanos não lançassem Serra.

Mas é possivelmente no campo econômico que residem as maiores diferenças entre Alckmin e Serra. A candidatura do governador à sucessão de Lula traz de volta à baila o trio de economistas tucanos que criou o Plano Real e que caiu em desgraça no escândalo das privatizações do governo Fernando Henrique. São eles André Lara Resende, Pérsio Arida e Luis Carlos Mendonça de Barros.

O mercado financeiro reagiu bem à indicação de Alckmin, fazendo reverter a queda da Bovespa, porque conhece a tendência financista do trio - todos ligados, no presente ou no passado, a bancos e outras instituições financeiras.

O que se especula no mercado é que eles preparam um plano econômico ultraliberal, cujo principal objetivo seria acabar com os entraves à entrada do capital estrangeiro no país. O raciocínio é que favorecendo a entrada de dólares, o real se desvalorizaria (o que ajuda na exportação) e seria aberta uma oportunidade para uma queda mais acentuada e rápida da taxa de juros.

Por isso Alckmin deve começar a campanha com os votos do mercado financeiro. Só falta agora convencer o resto do eleitorado.

 
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