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Terça, 30 de março de 2004, 20h20
Camisa de Vênus, ao vivo
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"Essa é mais séria", fala Marcelo Nova. "Simca Chambord foi uma canção que eu escrevi em parceria com um amigo de Salvador, o artista plástico Miguel Cordeiro. É uma das raríssimas parcerias que eu tive de letra na minha carreira. As letras de 99% de tudo que eu gravei são minhas. Nós estávamos em um restaurante e pedimos a refeição. Enquanto esperávamos, ficamos rabiscando em um guardanapo de papel. A idéia era traçar uma espécie de letra que falasse da destruição do sonho da classe média, mas não utilizando esses elementos que normalmente se associam, como a crise econômica, o desgoverno, a inflação. Eu queria usar um elemento que, ao mesmo tempo em que fosse mais sutil, não fosse, por isso, menos pertinente. Assim, eu acabei escolhendo a indústria automobilística. A história da destruição do sonho de uma classe média, que nos setenta era emergente. Eu era moleque na época e me lembro da alegria do meu pai quando ele comprava um carro, era uma espécie de conquista. A indústria nacional estava se solidificando. Já não havia mais apenas a idéia de importar carros. Antes todos os carros era 'Chevrolet', 'Ford', e ai começaram a se fabricar carros no Brasil. Então havia uma esperança de desenvolvimento tecnológico que, talvez conseqüentemente, trouxesse um desenvolvimento cultural. Simca Chambord é uma letra que fala disso. 'Eles fizeram pior'. Pior do que o presidente fez, do que o governo fez, do que o povo aceitou, do que não foi concluído, pior que tudo é que eles acabaram com Simca Chambord. Simca Chambord é uma canção que até hoje eu consigo encontrar prazer em cantá-la, outras nem tanto. É uma canção que permanece, é uma das canções que eu acho que valeu a pena ser composta", explica Marcelo Nova. Quais são as outras? "Ah, não. Eu tenho mais de 150 músicas", disfarça. Veja o Camisa de Vênus tocando Sesc ItaqueraSimca Chambord ao vivo no .
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